25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

coaxial de 3,2 mm. Em pouco tempo, as dores cessaram, as feridas cicatrizaram, e Laura saiu do hospital caminhando. Ela não teve mais nenhum problema com a perna até a morte, dois anos e meio depois, por pneumonia. Dotter não cabia em si de entusiasmo com o sucesso de sua intervenção. Ele queria que o mundo tomasse conhecimento da abordagem inovadora que criara, trazendo benefícios reais para os pacientes. Era um procedimento menos invasivo, não fazia ferida cirúrgica (um curativo pode ser usado para proteger a incisão) e tinha uma recuperação muito mais rápida: dependendo do caso, o paciente poderia voltar para casa até no mesmo dia, o que diminui muito a ocorrência de infecção hospitalar. Quem não conseguiria enxergar tamanhas vantagens? A notícia da intervenção bem-sucedida chegou exatamente aonde devia para pôr em prática o desejo de Dotter: em agosto de 1964, ele foi procurado por uma equipe da prestigiada revista norte-americana Life Magazine. Repórter e fotógrafo acompanharam o trabalho do médico no hospital, fazendo flagrantes, coletando frases contundentes. Dotter não se poupou. Liberou o acesso dos jornalistas, compartilhou seu grande entusiasmo com a equipe. O resultado dessa experiência foi, no mínimo, polêmico, já que o médico foi retratado como uma espécie de cientista maluco. Deram-lhe o apelido de “Crazy Dotter”, como relata Enio Ruble, da equipe do médico, no documentário Explorers of the heart, dirigido por Burt Cohen: “Dr. Dotter era um showman. Mas, na verdade, a reportagem da Life ficou meio dramática, e os clínicos não reagiram bem, passaram a relutar em indicar pacientes. Mas muitas pessoas vinham, mesmo assim, porque compraram a ideia, que era verdadeiramente estupenda.” Em entrevista à rede CNN, em 1981, Dotter relembra aquele momento e faz uma reflexão: “Talvez eu tenha errado na maneira de apresentar o procedimento ao mundo, mas não estou bem certo disso.” Embora tenha feito essa autoanálise, ele não perdeu o entusiasmo nem a certeza de que era preciso informar ao mundo seu invento. Escrevia artigos sobre cada procedimento que realizava, buscava parcerias e conseguiu ser ouvido, embora em um ritmo mais lento do que desejava. Foram mais de dez anos para que as ideias de Dotter se estabelecessem, até porque o senso comum da comunidade médica reagiu à reportagem da Life. E muitos chegaram a ridicularizar as ideias do “crazy doctor”. Os ventos foram mudando aos poucos, e a nova abordagem médica começou a se espalhar, afetando médicos que acreditavam na RI como um grande ramo da medicina moderna. Foram anos excitantes para esses profissionais, e muito profícuos em termos de estudos e descobertas. “Quando estivermos examinando um paciente, não devemos 7

RkJQdWJsaXNoZXIy NTI2MjY=