25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

Ninguém prestou atenção a Forssmann, e ele teve seu tempo de fala diminuído de oito para quatro minutos. Mais de 30 anos depois, a situação foi bem diferente. Os médicos Joseph Rösch, Frederick Keller e John Kaufman registraram, em 2003, no artigo “O nascimento, os primeiros anos e o futuro da Radiologia Intervencionista”, a reação dos ouvintes — Rösch estava na plateia, era secretário do Congresso. Depois da chuva de palmas, contam, fez-se silêncio. “Parecia que uma bomba tinha caído no auditório. Nenhum de nós presentes naquele congresso poderia sonhar que o discurso de Dotter se tornaria realidade.” Nenhuma surpresa para Dotter, a julgar por este fragmento de sua palestra: “A angiografia por cateter pode ser mais do que uma ferramenta passiva de observação diagnóstica. Usada com imaginação, pode se transformar num importante instrumento cirúrgico.” Foi assim o início da Radiologia Intervencionista (RI), expressão criada em 1967 pelo sérvio-americano Alexander Margulis, radiologista da Universidade da Califórnia. De início, Dotter não gostou dela, achou-a imprecisa, mas acabou cedendo, porque concluiu que ela permitia a definição de uma nova subespecialidade na radiologia. Ele sabia que estava à frente de seu tempo. Terminado o encontro na cidade tcheca, Charles Dotter fez as malas e voou os 8 mil e 700 quilômetros de volta para a Oregon Health and Science University, seu local de trabalho. Havia muito a ser feito para dar prosseguimento ao que iniciara. Seis meses depois, em 16 de janeiro de 1964, Charles Dotter, auxiliado pelo seu colega Melvin P. Judkins, transformou seu discurso em prática. Internada no hospital da Universidade de Oregon, Laura Shaw, de 82 anos, sentia dores horríveis na perna esquerda por causa de uma isquemia decorrente de doença obstrutiva arterial periférica (DAOP), tinha alguns dedos do pé gangrenados e se recusava, terminantemente, a ter a perna amputada, única solução que o corpo médico poderia imaginar para aplacar o sofrimento da mulher. Dotter soube do caso e se aproximou. Depois de conversar com Laura e apresentar-lhe a possibilidade de ser submetida a uma intervenção percutânea (mais tarde conhecida como angioplastia transluminal percutânea) que dilataria a estenose na artéria femoral superficial, ele conseguiu sua permissão para a intervenção. E deu certo, a estenose foi tratada com um cateter 6 Cateter-balão desenvolvido por Andreas Grüentzig para angioplastia transluminal percutânea de artéria femoral superĊcial. Material doado à Sobrice pelo cirurgião vascular Dr. Antônio Villela de Mendonça Uchôa.

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