cedimento necessário, e em mais 48 horas ele recebeu alta hospitalar. Ela mesma ficou surpresa quando fez o cálculo — e os participantes do congresso, mais ainda: o custo do banco de sangue correspondeu a 45% do total da conta hospitalar, e a ação da RI, a 35%. Isso sem contar o impacto de sobrevida e de qualidade de vida, um ganho que não se pode avaliar com a calculadora. “Doente de alta complexidade é muito caro. Quanto mais rápido você tirá-lo dessa situação, melhor. A intervenção pode ter um custo inicial alto, mas isso se dilui nos dias seguintes, reduzindo muito no resultado final.” A relação com outras especialidades é espinhosa, e não apenas no Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem vários atritos entre oncologistas e especialistas em RI. Para Valéria, é fundamental que se avance na compreensão de que, quando um paciente consegue viver mais e melhor, isso não ocorre por mérito de uma só especialidade. “Eu me dou bem com os oncologistas, porque mantenho vivos seus pacientes. Se o paciente falecer, ele não tem como tratar. Falta mesmo a divulgação, não no sentido de que somos melhores que os outros, mas porque o mais importante é o paciente, não a competição”, resume. A divulgação da RI, aliás, ganhou novo status em sua gestão. Além das ações junto a outras especialidades nos congressos e nas universidades, que sempre foram prioridade, a Sobrice abriu espaço na diretoria para um departamento de marketing. Não foi a única mudança. Foram criadas também duas vice-diretorias científicas e uma diretoria de convênios e normatizações. Dois dos três departamentos ligados a especialidades (intervenção visceral, neurointervenção e vascular periférico) passaram a ter dois responsáveis. Com 19 membros, a diretoria foi a maior da história da Sobrice. Sua composição foi enxugada na gestão seguinte, encabeçada por Francisco Cesar Carnevale, e mantida aproximadamente com o mesmo tamanho, porém com cargos diferentes, até 2020. Em boa parte, esses cargos foram criados para atender à necessidade de fazer uma composição interna. Havia quem apoiasse Carnevale para a presidência, embora Valéria, como vice de Abath, fosse a candidata natural. A escolha de Carnevale como vice ajudou a acomodar as diferentes visões e tornou-o quase automaticamente o presidente seguinte da Sobrice. Outros três futuros presidentes fizeram parte da diretoria nesse período: Alexander Ramajo Corvello (2011-2012), como diretor de convênios e normatizações, Felipe Nasser (2013-2014) como primeiro vice-diretor científico, e Ricardo Augusto de Paula Pinto (2015-2016) como tesoureiro. Tudo faz parte do processo de construção da Sobrice, que é “um trabalho de formiguinha”, na definição de Valéria. “Quando olho para trás, não tinha nada. A gente se reunia em congresso, e era um clubinho de amigos. A gente marcava reunião, e todo mundo estava presen69
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