25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

posas dos convidados. “Foi uma forma de fazer com que elas obrigassem seus maridos a irem ao congresso”, diverte-se Valéria. O jantar foi um sucesso, claro, mas o principal foi a reação dos oncologistas presentes, que se espantaram com o potencial da RI. “Na cirurgia vascular, eu dei continuidade ao que já se fazia. Nesse congresso, a gente começou a mexer os pauzinhos da intervenção oncológica, na qual ninguém levava fé.” O XI Congresso foi na Bahia, no Costa do Sauipe Conventions, em novembro de 2008, mais uma vez articulado com os congressos da Sidi e da SBNR. Foram 52 especialistas estrangeiros e mais de 800 participantes, atraídos pela programação e pela localização do hotel. Mais uma vez lançando mão do marketing, Valéria fez o convite em editorial do Jornal da Sobrice a toda a família do participante. “Reserve a sua agenda, aproveite e traga a sua família. Se não for para ‘compreender o que fazemos’, pelo menos para curtir a Bahia!” Valéria destaca também as ações junto ao Ministério da Saúde para consolidar a RI no SUS — um trabalho iniciado nas gestões anteriores e que nunca vai terminar, uma vez que os avanços tecnológicos não cessam. Ela considera que foram feitos avanços notáveis. “Quando olho para trás, vejo que não tinha quase nada de Radiologia Intervencionista no SUS. Hoje, tem muitos procedimentos, inclusive alguns de alta complexidade. Sempre se pode avançar, mas é preciso valorizar o que já foi conquistado”, diz. Um fator importante nessa ampliação foi a redução relativa dos preços dos insumos utilizados pela RI. Valéria lembra que, quando começou na profissão, no final dos anos 1980, um filtro de veia cava, que é “uma coisa simples”, custava o mesmo que um carro 0 km, o equivalente a cerca de R$ 90 mil. Hoje, custa R$ 4 mil. “A indústria pega pesado, o governo taxa impiedosamente, mas o custo caiu muito”, afirma. Apesar disso, ainda pesa sobre a especialidade a pecha de que seus procedimentos são muito caros. Valéria lembra que ouviu isso em todas as vezes que foi a Brasília discutir a liberação de algum deles. E respondia: “Sabe o que é caro? É medicina ruim, que complica, exame desnecessário, paciente que fica um tempão na UTI. Isso é caro. Quando aumenta o uso, barateia.” Atualmente, essa discussão continua presente — em parte porque, na opinião de Valéria, “o Brasil é um país capitalista, onde as pessoas têm vergonha de falar de dinheiro”. Ela conta que, recentemente, ao preparar uma aula para cirurgiões, teve um insight: decidiu expor um caso bem-sucedido em que foi possível detalhar todos os custos envolvidos, porque era um paciente 100% particular (os custos cobertos por planos de saúde são enviados diretamente às operadoras, dificultando os cálculos). Ele chegara em estado grave e fora para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nas 48 horas seguintes, Valéria fez o pro68

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