25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

do sobre o significado das próprias atividades e de suas transformações. A filósofa preocupa-se com o que chama de “moderna divisão do trabalho”, na qual as atividades passam a ser divididas em partes minúsculas, eliminando o trabalho qualificado. A reflexão de Arendt encaixa-se nessa fase de maturidade institucional da Sobrice — que começa em 2001 —, já que o tema que permeou o período, tomando grande parte dos debates entre seus membros, foi a aquisição do Título de Especialista em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia, emitido pela AMB, juntamente com o CBR. Obter qualificação do trabalho dos radiologistas intervencionistas era uma forma de diferenciar os profissionais da Sobrice e de avaliar a aptidão de cada um. Assim, uma especialidade que dialoga tão bem com o futuro da medicina rende-se também à teoria de um ensaio clássico sobre as atividades humanas, publicado em 1958. Foi em busca de diferenciar-se e de não se render a um trabalho hegemônico, massivo, que o CBR passou a defender a criação do Título de Especialista em Diagnóstico por Imagem com Atuação Exclusiva em Angiorradiologia e Radiologia Intervencionista. Aldemir Humberto Soares, presidente do CBR até 2005, lembra que, para a especialidade tornar-se reconhecida e poder anunciar-se, essa qualificação era necessária. “O título de especialista funcionou como um estímulo para fazer crescer a área”, disse o médico. A RI já era um departamento do CBR, que, junto com a AMB, emitia um documento reconhecendo a função. Faltava, porém, o mais difícil e definitivo: a autorização do CFM para a criação do Título. No editorial do Jornal Sobrice de julho de 2002, o então presidente da entidade, Crescêncio Centola, destaca a vitória que seria a realização, no final de novembro daquele ano, da primeira prova para título de especialista relacionada com a área da Angiorradiologia e Radiologia Intervencionista. Era o primeiro grupo, titulado por notório saber. O mérito do feito ficou por conta, segundo ainda o editorial, do “exaustivo trabalho da atual diretoria da Sobrice, que, em conjunto com a diretoria do CBR, coordenará os trabalhos”. Os candidatos deveriam estar diplomados até a data-limite da inscrição, e era obrigatório ter atuação exclusiva na área (Angiorradiologia e Radiologia Intervencionista) por, no mínimo, três anos. A declaração que permitiria ao médico candidatar-se teria de ser assinada por um membro da Sobrice. Quem explica esse detalhamento burocrático é Aldemir Soares: Sempre que se reconhece uma especialização nova na medicina, há a certificação de um primeiro grupo por notório saber. Esse grupo é formado com a apresentação de currículo e de uma série de documentos que comprovam que o médico tem vários anos exercendo aquela 56

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