25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

2.4 NESTOR HUGO KISILEVZKY (1998-2001) TEMPO DE EBULIÇÃO O ano era 1998 e marcava a despedida do século, que o historiador britânico Eric Hobsbawm cunhou de “Era dos Extremos”. Segundo ele, o século XX foi uma época que marcou o longo período em que “a esmagadora maioria da raça humana vivia plantando alimentos e pastoreando rebanhos”. Um ciclo em que ocorreram duas grandes guerras, uma pandemia, muitas mortes, mas, ao mesmo tempo, de transformação social e cultural, “a maior, mais rápida e mais fundamental da história”. Na esteira dessas mudanças, vinha o desenvolvimento tecnológico, em que se insere a especialidade dos radiologistas intervencionistas, propulsores da medicina do futuro. Na cadeira da presidência da Sobrice, que fora criada pouco menos de um ano antes, o médico Nestor Kisilevzky, ex-secretário da entidade, cuidava de muitos detalhes burocráticos que ainda se faziam necessários — e recebiam pouca atenção da maioria. Colocava o foco, sobretudo, em cuidar do item 3 das incumbências registradas na ata de fundação da Sociedade, assinada em 26 de setembro de 1997: divulgar a formação da entidade. Para isso, nada mais natural do que aproveitar o tempo de ebulição do mundo às portas do século XXI e fazer contato com colegas de outros países que pudessem trazer experiência de sociedades similares. Afinal, foi esse um dos princípios filosóficos que guiaram a fundação da Sobrice. Com um método revolucionário no campo da medicina, a RI precisava abrir caminhos para que mais pacientes pudessem se beneficiar. Na visão de Kisilevzky, a especialidade tem como função ser eficiente e entregar conforto, tratar rapidamente os pacientes, fazer com que eles não entrem em um hospital ou passem pouco tempo lá. “É uma atividade que veio para contribuir essencialmente para esse conceito, exigência da comunidade de métodos menos agressivos”, define. A tarefa de espraiar essa informação de forma responsável e, ao mesmo tempo, eficaz é delicada e muito necessária ainda nos dias de hoje, como lembra Henrique Salas: “Até hoje, ainda tem médicos que não se lembram de que é possível usar a Radiologia Intervencionista como terapia. E olha que estamos há 20 anos trabalhando”, diz Salas. Um dos primeiros passos do novo presidente foi criar uma logomarca para a Sobrice. É Kisilevzky quem conta, em detalhes, o momento dessa criação: “Começamos a idealizar uma identidade visual para a Sobrice. Chamei um grande amigo mineiro, que é artista plástico, e nos sentamos na frente do meu computador para desenhar uma 44

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