ia aos congressos com o professor e neurorradiologista Pierre Lasjaunias — que também morreu precocemente, de infarto, aos 59 anos, em 2008 — e voltava falando disso”, comenta, acrescentando que todos debatiam os casos mais complicados, no melhor estilo do Clube dos Angiografistas. “Ronie era muito rígido; para ele, a medicina vinha em primeiro lugar, antes da família, mas não era ausente”, diz Lia. Com o mesmo propósito, de envolver todos os médicos com o conhecimento, Piske criou o Grupo Sul-Americano de Neurorradiologia Intervencionista e Terapêutica (Gsanit), ainda em atividade. A viúva recorda-se claramente do que Ronie mais gostava, depois da medicina: esportes. E também do que ele mais detestava: burocracia. Dessa forma, Lia explica o fato de o marido ter aceitado emprestar seu nome para ajudar a dar o pontapé inicial na Sobrice. Essa ajuda não só veio em boa hora como é eternamente lembrada pela entidade. Em 2017, dois anos antes de falecer, Ronie Piske foi condecorado pela Sobrice com o prêmio Renan Uflacker, que homenageia as grandes personalidades da RI, reconhecendo sua atuação em prol da especialidade, do ensino e da pesquisa. A entrega do prêmio ocorreu durante o congresso anual da entidade, realizado no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. Em entrevista antes de sua palestra no evento, ele declarou: “Acho o Congresso um evento muito importante para a especialidade, é uma troca de experiências. Vamos mostrar aqui o tratamento completo: fazemos terapia endovascular, cirurgia e radiocirurgia. Este congresso está destacando especialmente a neurorradiologia, o que é muito importante.” Na mesma entrevista, Piske contou alguns de seus planos para o futuro: “Estou fazendo agora um curso de educação continuada e neurointervenção. O congresso é para trazer atualizações, então é muito bom. E está crescendo. A cada ano que passa, a gente vê um número maior de pessoas”, disse, acrescentando que o tempo de participação dos neurorradiologistas no congresso da Sobrice vinha aumentando. Na vida doméstica, porém, outros planos ficaram sem finalização. O casal preparava uma viagem a Portugal, onde o médico daria uma palestra. “E depois, a gente ia aproveitar para passear. Era uma novidade, porque Ronie nunca queria aproveitar uma viagem de congresso. Mas, daquela vez, ele aceitou.” 43
RkJQdWJsaXNoZXIy NTI2MjY=