25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

A organização envolvia uma logística complexa de deslocamento. Para voar entre capitais, havia uma oferta razoável de horários, principalmente entre Rio de Janeiro e São Paulo, com a Ponte Aérea inaugurada em 1959. Porém, do interior para as capitais, o mesmo não acontecia. Era mais fácil viajar de Porto Alegre a Recife do que do interior de São Paulo para a capital, lembra Crescêncio Centola, terceiro presidente da Sobrice. Apesar das dificuldades, os encontros não se restringiam às capitais. Houve reuniões em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Recife, mas também em Itapema (SC) e Atibaia (SP), por exemplo. Como a informalidade reinava, não existem atas, listas de presença ou documentos que permitam reconstituir, rigorosa e detalhadamente, as discussões que aconteceram naqueles tempos pioneiros. E é exatamente aí que reside a grande riqueza dessa história, que pode ser comparada a um mosaico composto das lembranças de mais de uma geração profissional, por vezes com versões diversas, porém com eixos comuns importantes. O eixo comum mais forte diz respeito a um princípio sagrado do Clube, explicitado por Nestor Kizilevzky: “A ideia era apresentar sempre casos que tiveram alguma complicação, alguma dificuldade que a pessoa não soube resolver, ou que resolveu de maneira especialmente criativa.” Em resumo, não era permitido dar aula. Nem o gaúcho Renan Uflacker, que acabara de voltar dos Estados Unidos depois de um período na Noruega, era reverenciado por todos e se tornaria patrono da Sobrice, tinha essa postura. Aconteciam discussões e até algumas brigas, mas o objetivo era aprimorar a prática, fazer com que todos aprendessem. Aos olhos de hoje, quando qualquer estudante do Ensino Fundamental tem à disposição um mundo de informações e todos os recursos para produzir lindas apresentações, parece incrível o fascínio que as radiografias produziam nos participantes do Clube. Na época, entretanto, eles valorizavam o que se considerava “uma coisa muito raiz”, na definição de Henrique Salas Martin, radiologista intervencionista com atuação no Inca e em hospitais privados. Nos primeiros encontros, o número de participantes era pequeno, a ponto de permitir que as radiografias fossem exibidas no negatoscópio, em tamanho real, portanto. Depois, as reuniões cresceram, e entrou em cena o retroprojetor, que permitia exibir as imagens ampliadas. Mais tarde, foi a vez dos projetores de slides, que viabilizavam apresentações mais dinâmicas, coloridas. Mas duraram pouco, por um motivo simples, como relata Carlos Abath: esse recurso estimulava um formato de aula, com menos interação, e ainda permitia ao apresentador mostrar apenas o que lhe interessasse, evitando expor erros e fragilidades. “Era contra o espírito da coisa. A gente queria ver na radiografia, no bruto, o que havia sido feito, onde poderia melhorar, o que não havia funcionado. Era o mundo real que nos interessava”, resume Abath. 17

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