Quando, em 1992, foi inaugurado o Serviço de Radiologia Intervencionista pelo médico Márcio Sampaio, em um dos pavilhões históricos do prédio da Beneficência Portuguesa, no Rio de Janeiro, rapidamente a notícia se alastrou. Henrique Salas Martin, radiologista intervencionista do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que começou a fazer lá sua residência, traz na memória o entusiasmo que tomava conta dos profissionais, trabalhando um campo tão novo e com tanta demanda. Praticamente todas as arteriografias da cidade eram feitas por eles. Mas, se, para alguns cirurgiões, o avanço da RI gerou perda e ressentimento, outros decidiram enfrentar o novo, estudar e entrar para a especialidade. Foi a hora de a roda girar. A preocupação dos radiologistas que já estavam na estrada passou a ser a de marcar território; afinal, eles tinham chegado primeiro. Nos anos 1980, o procedimento intervencionista ainda era livre, não havia título de especialista, ou seja, não havia restrições para quem quisesse fazer. Os radiologistas intervencionistas tinham um agravante: a especialidade era pouco conhecida, às vezes até mesmo menosprezada pelos pares. Valéria Cardoso de Souza, quinta presidenta da Sobrice, lembra-se de que, na faculdade, quando decidiu sair da cirurgia e optar pela radiologia, ouviu muito a pergunta: “Ué, desistiu de fazer medicina?”. Nessa ocasião, ela compreendeu o tamanho do desafio que a especialidade tinha pela frente. Os pacientes, no entanto, passavam ao largo do debate. Para eles, era sempre fácil entender os benefícios da RI. “Mostrávamos que não era necessário operar, abrir barriga, e que a alta era em dois ou três dias. Aí, era fácil de eles entenderem e gostarem da nossa conversa, eles davam a permissão”, lembra-se Ênio Pereira. Em alguns momentos, porém, as especialidades convergiam. Era o melhor dos mundos. Quem conta é Henrique Salas Martin, usando novamente o caso da Beneficência Portuguesa, do Rio de Janeiro, como exemplo. A apenas um lance de escada do andar onde eram feitas as intervenções de angioplastia, funcionava o setor das cirurgias. E ali as especialidades começaram a trabalhar juntas, desenvolvendo outras técnicas, avançando também nos diagnósticos. Quem mais lucrou, é claro, foram os pacientes. O conflito permeou e permeia ainda a classe dos intervencionistas, mas vem ganhando contornos diferentes, mais amenos, à medida que o tempo vem mostrando que, no fim das contas, há espaço para todos. O foco deve ser a melhor qualidade de vida do paciente. “A Radiologia Intervencionista é uma especialidade que oferece coisas que beneficiam o paciente, e que não está tirando o paciente do médico A, B ou C. Está contribuindo para que esse médico ofereça a seu paciente um tratamento de melhor qualidade. No caso dos pa14
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