então, o interesse das empresas em produzir os equipamentos de que necessitávamos. E isso, é claro, contribuiu para a evolução”, diz Luiz Maria Yordi, radiologista de Porto Alegre. Por volta dos anos 1990, quando a onda de entusiasmo e descobertas aqui no Brasil crescia entre os radiologistas intervencionistas, surgiu um desafio, no seio da própria classe médica, que começou a incomodar. Muitos profissionais passaram a criticar a inovação e os avanços, sobretudo os cirurgiões vasculares e neurocirurgiões, cujas especialidades iriam, de certa maneira, rivalizar com os novos procedimentos, menos invasivos e que traziam mais comodidade aos pacientes. Os mais conservadores começaram a dizer que era uma novidade temporária, insustentável. “Foi uma década de muita tensão. A cirurgia vascular estava dividida, e, do lado dos radiologistas intervencionistas, também havia aqueles corporativistas, que achavam que, por terem sido pioneiros, teriam exclusividade na execução dos procedimentos intervencionistas. E não admitiam dividir o campo com ninguém”, conta Carlos Abath, quarto presidente da Sobrice. O caminho percorrido, da angiografia à angioplastia, do cateterismo de Seldinger à embolização de hemorragia provocada por varizes esofágicas, era rápido e fantástico demais para ser absorvido por quem não admitia mudanças, quer por medo de perder espaço, quer por comodismo. Certo dia, em uma conferência no Hospital das Clínicas, em São Paulo, um professor chegou a fazer uma profecia com palavras que ficaram marcadas nos jovens que acompanhavam a aula. Para ele, o cateterismo tinha um lugar garantido na história da medicina: a lata de lixo. Errou feio. Como contraponto a essa visão conservadora, o Serviço de Radiologia da Med Imagem, no Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo, idealizado por Dr. Sérgio Santos Lima, criou o Departamento de Radiologia Intervencionista, convidando o Dr. Renan Uflacker para coordená-lo e desenvolvê-lo. Com competência, inovação e sensibilidade política, Uflacker consolidou e difundiu a especialidade, desenvolvendo novas técnicas e treinando outros profissionais, por meio de programa formal de estágio na emergente especialidade médica. Voltando às suas regiões de origem, essas iniciativas foram replicadas, promovendo a expansão da intervenção em diversas partes do país. Foi assim com Carlos Abath, que, após concluir sua formação na Med Imagem com Uflacker, em 1990, começou a introduzir a especialidade no Nordeste, tendo o mestre como modelo e incentivador. Abath treinou jovens interessados nesse novo e promissor campo de atuação, agregou-os em um time e fundou a Angiorad, centro de assistência e treinamento em RI, em Recife, que se tornou referência nacional na especialidade. 13
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