25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

de esôfago, um stent, desviando o sangue da veia porta para a veia cava, era o suficiente, muitas vezes, para salvá-lo, descomprimindo o sangue represado nas varizes. No caso de embolia pulmonar, um filtro acabava com o problema”, conta Ênio Pereira. E pensar que, até a década de 1950, ou seja, pouco mais de duas décadas antes, o acesso a artérias e veias era realizado apenas por dissecção dos tecidos moles, para manipulação e punção direta do vaso sob visão direta com o cateter angiográfico. Uma mudança radical, sobretudo para os pacientes, foi a técnica desenvolvida pelo sueco Sven Ivar Seldinger. Essa técnica simples e, ao mesmo tempo, engenhosa é utilizada até hoje e leva o nome de seu criador. Ela permite o acesso inicial de um vaso sanguíneo por uma agulha, seguido da passagem de um fio-guia metálico. A agulha é retirada e o cateter é introduzido sobre o fio-guia — Técnica de Seldinger. Para acompanhar tantas inovações, os médicos não podiam deixar de estudar, precisavam se atualizar quase diariamente nessa época. “Aprendíamos muito mais nas revistas do que com pessoas. E eram revistas americanas ou europeias. Até mais ou menos 1976, a grande preocupação em congressos, aulas e conferências era apenas aprimorar técnicas para fazer a radiologia convencional. Ou o médico lia muito, ou ia trabalhar no interior, num lugar aonde não chegasse informação. Porque nas grandes cidades a gente ficava ansioso. Eu abria a revista, lia sobre um novo procedimento e pensava: ‘Por que eu não posso fazer isso também? Onde é que vou aprender isso?’”, lembra Ênio Pereira. A experiência de José Maria Modenesi, também um veterano da profissão, era de acumular informação e trabalhar nos casos a partir do conhecimento que trazia da universidade: “Eu tinha treinamento de base, conhecimento de anatomia, sabia como fazer angiografia, como tratar com o material que se tinha. À medida que novos materiais iam surgindo, eu ia melhorando a técnica. Ou íamos a um serviço que tinha uma demanda maior, ou colegas mais experientes vinham a nós. A diferença é que hoje há laboratórios com peças muito diversificadas, que se assemelham ao corpo humano”, explica. As peças são adequadas a situações anatômicas e clínicas específicas. Lado a lado com essas descobertas, tão entusiasmadas quanto os profissionais que estavam na linha de frente, as empresas médicas começaram a perceber que aquele setor era um filão. E passaram a trabalhar em parceria com os médicos, fazendo pesquisas e empregando todos os esforços para saber quais tipos de equipamentos poderiam ajudar a tornar as intervenções cada vez mais bem-sucedidas. “O papel da indústria é desenvolver a tecnologia, que, segundo argumentam, tem um custo, e esse custo tem que ser amortizado depois, pela venda do material que as fábricas produzem. Sempre houve, 12

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