25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

cesso de preenchimento de montes de formulários para dar entrada nos pedidos e aguardar o carimbo. Na maioria das vezes, recebia um “não” como resposta. Era um cenário desanimador para a aurora da RI, que começava a despontar por aqui nos anos 1980. Ocorre que o Brasil não fabricava os equipamentos de que os radiologistas intervencionistas brasileiros precisavam. Era preciso, assim, trazê-los dos Estados Unidos, muita coisa também da Europa e enfrentar a burocracia dos carimbos. O jeito era contornar a situação. Quando algum conhecido da turma dos médicos viajava, levava na bagagem uma lista de pedidos. E, na viagem de volta, ficava de dedos cruzados ao passar pela Alfândega, para que não apreendessem o material, o que acontecia com frequência desalentadora. Em certa ocasião, na volta de uma viagem à Disney, Ênio César Pereira, médico radiologista que se formou no Paraná na década de 1950, teve sua pequena maleta cheia de cateteres perdida para uma equipe alfandegária inclemente. Voltou para casa sem os equipamentos e com a pecha de contrabandista. Tempos duros. Por outro lado, esse início nada fácil alimentou o poder criativo daquele exército de desbravadores. Com obstinação, pesquisa e engenhosidade, linhas elásticas, por exemplo, serviam para amarrar um balão de látex na ponta de um cateter de linfografia após cortar a agulha da ponta desse cateter, virando um poderoso instrumento para a oclusão temporária ou permanente de um vaso, na falta do material fornecido pela indústria estrangeira. O procedimento era realizado através da punção direta da artéria carótida comum devido ao curto comprimento do cateter adaptado, para tratamento de fístula carotídeo-cavernosa. José Maria Modenesi, neurointervencionista, era mestre nessas invenções, tanto que ganhou o apelido de MacGyver, o agente secreto da série de televisão conhecido por ser solucionador de problemas Nestor Kisilevzky, segundo presidente da Sobrice, lembra-se da primeira vez em que um técnico de raios X levou-o à rua Santa Ifigênia, no Centro de São Paulo, famosa por vender produtos eletrônicos. Kisilevzky passou a frequentar o local, onde comprava cabos elétricos, tirava o cobre de dentro e, com o plástico da cobertura, fazia um cateter. Fato é que, mesmo com dificuldades técnicas, aquela turma de jovens médicos sabia que estava diante de um campo revolucionário da medicina, com muito espaço para pesquisas e para o crescimento. Muitos saíam do país, passavam um tempo estudando fora e voltavam, trazendo novidades que os colegas gostavam de ouvir e anotar com enorme interesse. Um nome que imediatamente vem à memória quando se quer lembrar dessa fase inicial é o de Renan Uflacker, patrono da Sobrice e pai 10

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