sem volta, como lembra outro brasileiro, o médico radiologista Luiz Maria Yordi. Começava, assim, uma importante aproximação entre a indústria de equipamentos e a área médica. Profissionais de outras áreas se interessavam pelo assunto e desenvolviam instrumentos cada vez mais adaptados às necessidades dos radiologistas intervencionistas. Era um jogo de ganha-ganha, porque os pacientes também se beneficiavam. Um exemplo clássico dessa parceria foi a criação do stent autoexpansível de malha metálica, conhecido como Wallstent, desenvolvido na década de 1980 pelo engenheiro Hans Walsten, em sua companhia suíça chamada Medinvent. Em 1973, foi fundada nos Estados Unidos a Society of Interventional Radiology (SIR), que nasceu como um clube fechado, com cerca de cem membros, e se transformou rapidamente em uma sociedade aberta, com mais de 4 mil membros. Seu objetivo, desde o início, foi “promover pesquisas que levem à melhoria do atendimento ao paciente e da qualidade de vida para perpetuar o futuro dessa especialidade”. Em 1969, no auge de seu entusiasmo pelo que ainda viria a ser descoberto no setor da RI, Charles Dotter foi diagnosticado com a doença de Hodgkin. Determinado a não deixar que nada o impedisse de apontar o caminho para o futuro da medicina, decidiu ignorar os nódulos que apareceram em suas axilas e só dois anos depois começou a se submeter a sessões de radioterapia. Respondeu bem e comemorou a seu jeito: subindo o monte Cervino, a montanha mais alta dos Alpes, na fronteira entre a Suíça e a Itália. Porém, em 1976, a doença voltou e, em 15 de fevereiro de 1985, Dotter morreu, depois de uma longa batalha. Uma coincidência infeliz: no mesmo dia, morriam também Andreas Grüentzig e sua mulher, em um acidente aéreo. E o mundo ficou, de uma vez só, sem os dois gênios da medicina do futuro. 1.2. PIONEIROS DA RADIOLOGIA INTERVENCIONISTA NO BRASIL “UM EXÉRCITO DE CRIATIVOS E DETERMINADOS” O regime de governo militar, instalado em 1964, criou enormes dificuldades para a importação. “O país tinha um programa de proteção à indústria nacional que vetava a maioria das compras externas”, escreve o jornalista Carlos Araújo (do Comexblog), especialista em comércio exterior. Quem se aventurasse tinha que enfrentar um exaustivo pro9
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