estabelecer a sobrevivência da especialidade. E, para isso, os centros formadores seriam sempre indispensáveis. Segundo Abud, o objetivo da sociedade, como reguladora de treinamento, é “permitir que profissionais novos se formem ao longo do tempo e que a especialidade seja muito bem representada”. Na verdade, como se trata de uma especialidade jovem, essa questão vai sendo resolvida em pleno voo, o que torna tudo tão atraente quanto difícil. A oferta de treinamento de qualidade é imprescindível para construir uma especialidade forte, atuante e com atendimento universal no Brasil. Abud lembra que o uso primordial da tecnologia — são os equipamentos que tornam possível visualizar o corpo do paciente, por dentro, em tempo real — é o que faz da RI uma especialidade eternamente atualizada. “Trabalhamos o tempo todo em ambientes de alta tecnologia e, por isso mesmo, estamos sempre nos aprimorando”, diz ele. Esse é o mote para a entrada em cena dos jovens e a criação de um espaço, chamado Sobrice Júnior, com o objetivo de atrair essas pessoas, como veremos adiante. A ideia surgiu de toda a diretoria na gestão de Abud e corrobora a necessidade de ampliar o escopo da Sobrice, convidando quem pode ajudar a fazer isso de forma eficaz. A Sobrice Júnior é uma estrada de mão dupla. A geração atual superou muitos obstáculos e pode inspirar os mais novos com exemplos de inserção profissional e reconhecimento; por outro lado, os jovens podem ajudar a divulgar a especialidade entre seus pares. Uma troca mais do que saudável. “Foi muito importante abrirmos espaço para os mais jovens. Há uma tarefa que não pode deixar de ser feita, sob hipótese alguma, e mesmo com a Sobrice Júnior, que é a de divulgação de nosso trabalho”, disse Abud. Mas por que a RI é tão pouco conhecida? Uma das condições que ajudam na resposta é o fato de a especialidade não ter espaço na grade curricular da graduação de medicina. Outro ponto a ser considerado é o fato de a tecnologia ser sua maior aliada. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, existem centros de excelência em grandes centros urbanos e privações que não se imagina existirem em pleno século XXI. Lugares aonde não chega nem luz elétrica, muito menos máquinas, stents, cateteres e outros dispositivos necessários para exercer a especialidade. Isso a torna desconhecida não só pela população, mas pelos próprios médicos. Nas palavras de Abud: “Há regiões do Brasil em Primeira atividade da Sobrice Júnior no Instituto de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Inrad-FMUSP), em março de 2018. Primeira reunião dos residentes, que reuniu chefes, assistentes e residentes de todos os centros formadores da cidade de São Paulo, em um total de 110 pessoas, à la Clube dos AngiograĊstas. 100
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