25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

cindível em um país marcado por tantas desigualdades entre cidades e regiões. Nesse processo de formação, preservação e ampliação da especialidade, a Residência em RI tem papel muito importante. Por isso, Nasser se diz feliz por ter dado o que considera uma contribuição importante para essa conquista, que se concretizou na gestão de Daniel Abud (2017-2018). Ele teve a sorte de conhecer, em sua residência no Hospital Santa Marcelina, o médico Adnan Neser, então diretor da instituição. Formado em 1962 pela Escola Paulista de Medicina, Neser foi o principal responsável pela criação da residência médica no Brasil. Realizou, de 1968 a 1970, residência médica em cirurgia geral por dois anos e em cirurgia vascular como o primeiro residente da especialidade antes da criação oficial da residência pela Lei no 6.932, de 7 de julho de 1981. Ninguém no Brasil conhecia mais os meandros desse processo do que ele. “Neser estava se aposentando, e eu perguntei a ele se não gostaria de trabalhar com a Sobrice para viabilizar a nossa residência. Ele aceitou, e teve papel fundamental”, lembra Nasser. A prioridade que a formação teve nessa gestão relaciona-se, estreitamente, com a atuação de Nasser como professor na Faculdade Santa Marcelina e na Faculdade de Medicina de Itajubá (FMIT). Ele percebe o interesse dos alunos em conhecer a especialidade e os procedimentos, até por fazerem parte de uma geração que respira tecnologia desde a infância. “Os cursos de medicina ainda precisam avançar bastante, para oferecer acesso a recursos tecnológicos avançados como os utilizados na RI, mas em muitos isso já é realidade. Em algumas graduações, o aluno já tem contato com o ultrassom desde o primeiro ano”, diz Nasser. Nos Estados Unidos, conta, o médico pode optar pela especialidade de RI diretamente (acesso direto), após a graduação, o que pode parecer vantajoso. Pondera, no entanto, que não sabe se esse é necessariamente o melhor caminho. Em sua opinião, é mais importante valorizar e qualificar cada vez mais as residências em RI, além de, evidentemente, aprimorar a qualidade dos cursos de medicina. No capítulo das conquistas, os destaques do biênio são as primeiras tratativas junto ao CBR com objetivo de conseguir participação no Programa de Acreditação em Diagnóstico por Imagem (Padi) e a realização de reuniões com o CFM para estabelecer no Brasil um estudo multicêntrico para o tratamento da hipertrofia prostática benigna através de embolização das artérias prostáticas — técnica pioneira no mundo, desenvolvida pelo Serviço de Radiologia Vascular Intervencionista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, coordenado por Francisco Carnevale, em 2008. Na gestão de Nasser, a participação da Sobrice no Boletim CBR ganhou nova característica. Enquanto, até então, o espaço era ocupado basicamente com notícias sobre os congressos e os registros de 89

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