conheço”. Modestamente, atribui à antiga amizade com Uflacker sua indicação como a primeira a receber o prêmio. Essa versão não corresponde exatamente aos fatos. Formada em 1970 pela Faculdade de Medicina e Ciências Biológicas de Botucatu, São Paulo, Rosa Paolini queria, inicialmente, ser psiquiatra. Acabou se interessando pela radiologia e, ao fim da residência, em 1975, rumou para a Suécia, onde fez especialização em RI. No mesmo ano, Uflacker seguiu para a Noruega, para cursar a mesma especialização. Os dois acabaram se conhecendo na Itália, em um congresso da Cirse, e ficaram amigos instantaneamente. De volta ao Brasil, participaram juntos da criação do Clube dos Angiografistas, que deu origem à Sobrice. Em 1993, Uflacker foi para os Estados Unidos, para onde Rosa migrou cinco anos depois. A amizade continuou, embora as oportunidades de encontro tenham se reduzido significativamente. Em 2000, a médica foi obrigada a abandonar a RI, por causa de um câncer na tireoide, que a impediu definitivamente de ter contato cotidiano com qualquer tipo de radiação. Hoje, à frente da Cooperativa dos Cafeicultores de São Manoel, cidade próxima a Botucatu, ela cuida dos negócios da família e lembra-se com saudade, desses tempos pioneiros. “A gente tem que se adaptar àquilo que a vida dá para a gente. Com limão só se faz limonada, não suco de maçã”, resume, sem deixar de registrar que continua a seguir com o maior interesse as notícias sobre o avanço da RI. “Mas agora é como cultura geral.” Na sequência, os critérios para receber a premiação ganharam outros requisitos, sem perder de vista o do pioneirismo e da contribuição científica. Entre esses critérios mais recentes, destacam-se o de participação ativa na organização, divulgação e impulsionamento de atividades ligadas à especialidade no Brasil e no exterior, participação ativa na organização de eventos científicos (programa, trabalhos e convidados estrangeiros do congresso anual) através da Sobrice. Foi esse um dos motivos principais da escolha de Felipe Nasser para o prêmio na edição de 2021, diz Joaquim Maurício da Motta Leal Filho, presidente da Sobrice (2021-2022). O terceiro homenageado foi o ex-presidente da Sobrice Crescêncio Centola (2012), tendo a neurorragiologista intervencionista Raquel Hidalgo, sua discípula, como condutora da cerimônia. A ainda curta história do prêmio Renan Uflacker registra momentos de intensa emoção. Um deles foi a homenagem póstuma ao pioneiro Antônio Villela de Mendonça Uchôa, no mesmo ano de sua morte, aos 98 anos, em 2013. Seu filho Renato e sua neta Priscila, ambos cirurgiões vasculares em Araçatuba, interior de São Paulo, conduziram a cerimônia, que consagrou três gerações de cirurgiões vasculares. O radiologista Antônio Kambara, premiado em 2014, é referência em RI no Instituto Dante Pazzanese. Foi apresentado por seu discípulo 79
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