cada um faria uma homenagem. Um entregando uma placa e os outros dois, juntos, colocando um pin da Sobrice no paletó do homenageado, tornando-o assim um representante de nossa confraria de intervencionistas. A escolha do nome do prêmio não foi difícil. Renan Uflacker é uma unanimidade rara. Como já dito no capítulo 2, é considerado o pai da RI brasileira, responsável pela formação de muitos profissionais hoje consagrados em suas atividades. Todos aqueles que tiveram a chance de conviver com ele colecionam histórias que dão conta de sua extraordinária competência e também — aliás, principalmente — de sua enorme generosidade com as gerações que o sucederam. O desejo de homenageá-lo de alguma forma transformou-se praticamente em sonho coletivo, mesmo antes de sua morte precoce, em 2011. Materializou-se, assim, na gestão de Francisco Cesar Carnevale, a ideia do prêmio Renan Uflacker, em substituição a homenagens anteriores que não tinham identidade própria. Quando Carnevale conversou com Uflacker sobre a ideia de seu nome como forma de premiação e homenagem nacional, ele se sentiu muito honrado, porém resistiu, por não acreditar na plena aceitação da indicação em âmbito nacional. Rapidamente, foi convencido de que se tratava do maior expoente da RI brasileira, nacional e internacionalmente. Seguindo-se alguns critérios de seleção, o design do troféu referente ao prêmio Renan Uflacker foi feito pelo designer Carlos Marin, também criador do logotipo/marca do Instituto do Coração (InCor), de São Paulo. Antes desse prêmio, a única homenagem nomeada foi o prêmio Charles Dotter, que teve apenas uma edição, em 2009, sendo concedido a Renan Uflacker e a Carlos Abath. O prêmio Dotter foi um degrau para o prêmio Uflacker, tendo sido inspirado na tradição da Cirse, a Sociedade Europeia de Radiologia Intervencionista, e da SIR, sua congênere norte-americana. Essas instituições criaram prêmios destinados ao reconhecimento da contribuição de profissionais à RI, seja na inovação, na formação de novas gerações ou no fortalecimento institucional da especialidade. Morto aos 62 anos, no auge de sua carreira, Uflacker só participou da primeira edição da homenagem. No Congresso de Foz do Iguaçu, em 2010, entregou o troféu a Rosa Maria Paolini, cuja indicação foi exigência para que ele aceitasse a ideia de um prêmio com seu nome. O segundo indicado por Uflacker foi Ênio César Pereira, pioneiro formado em 1958 na Universidade Federal do Paraná (UFPR) que, até logo antes da pandemia do coronavírus em 2020, continuava trabalhando na Beneficência Portuguesa de São Paulo. A entrega do prêmio aconteceu no Congresso de Búzios, em 2011, poucos meses depois da morte de seu patrono. Coube a Rosa Paolini conduzir uma das mais emocionantes homenagens de entrega do prêmio Renan Uflacker, radiologista que considera ser, em suas palavras, “o mais completo que 78
RkJQdWJsaXNoZXIy NTI2MjY=