25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

tiam quatro centros de referência em treinamento realmente estruturados no Brasil: a pioneiríssima Med Imagem, na Beneficência Portuguesa de São Paulo, criada por Renan Uflacker e chefiada, após sua ida para os Estados Unidos, por Ronie Leo Piske e Guilherme Mourão; o Centro Regional de Radiologia Intervencionista e Vascular (Criva), no Hospital Beneficência Portuguesa de São José do Rio Preto, chefiado por Crescêncio Centola; a Angiorad, em Recife, fundada e chefiada pelo próprio Carlos Abath; e o Serviço de Radiologia Vascular Intervencionista do Instituto de Radiologia da Faculdade de Medicina da USP, chefiado desde 2002 por Francisco Cesar Carnevale. Em alguns hospitais, havia profissionais de RI que se preocupavam com o ensino dos fundamentos da especialidade aos residentes, mas não eram organizados como centros de treinamento, nem tinham o objetivo específico de preparar para os exames de especialistas. É o caso da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, onde Márcio Sampaio formou dezenas de profissionais que se tornariam radiologistas intervencionistas — entre eles, Henrique Salas, que fez residência em radiologia na Beneficência, em 1990. Dentro do serviço de radiologia, funcionava outro de intervenção, a cargo de Sampaio. Salas ficou fascinado e pediu para acompanhar. Em 1992, Sampaio conseguiu um espaço grande no hospital e instalou um serviço bem-estruturado de intervenção. “A gente fazia todas as arteriografias da cidade do Rio de Janeiro, um movimento absurdo”, lembra Salas. “Comecei a fazer intervenção lá. E foi uma época muito legal, com a Beneficência funcionando a pleno vapor.” Mesmo existindo experiências bem-sucedidas como essa, era preciso estabelecer normas. Foram criados, então, os parâmetros mínimos para o funcionamento de centros: equipamentos com especificações técnicas precisas, titulação obrigatória para a coordenação e um número mínimo de procedimentos de qualidade comprovada, além do treinamento por dois anos. Abath avalia que o ideal teria sido criar os centros de treinamento e depois implantar o exame para obtenção do título. No entanto, essa questão sequer foi colocada. A RI passava por um momento que exigia trocar pneu com o carro em movimento, e a prioridade que prevaleceu foi ter a especialidade reconhecida e divulgada. E, assim, a história prosseguiu, com pequenos e grandes percalços, pequenos e grandes conflitos, e muitos avanços. Na visão de Abath, as três gestões que formam o chamado ciclo de estruturação da Sobrice devem ser analisadas como um conjunto, uma geração de transição. “Crescêncio [Centola], Valéria [Cardoso de Souza] e eu fizemos parte do Clube dos Angiografistas, éramos respeitados como angiografistas e participamos ativamente da criação da Sobrice”, diz, acrescentando que, ao final da gestão de Valéria, sua 64

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