25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

tre as duas especialidades. No Rio, Márcio Sampaio, exclusivamente neurorradiologista intervencionista, e profissionais como Feliciano Azevedo, que fez parte da comissão científica, eram referências fortes o suficiente para ancorar essa aposta. Não funcionou, lembra Abath, divertindo-se, como acontece, com frequência, quando se olha pelo retrovisor. “A maioria dos convidados estrangeiros era de neurorradiologistas. No fim, não conseguimos agradar ninguém. Foi pouca gente de neuro, e os demais intervencionistas se sentiram desprestigiados”, diz Abath. O curioso é que esse embate deixou gradualmente de fazer sentido. A tendência que se firmou foi a da superespecialização. Abath, que continua exercendo as duas atividades, considera-se “um dinossauro”. O relato sobre o VII Encontro mostra como os desafios evoluem. Nos oito anos de estruturação da sociedade, essa constatação é inescapável. Centola ainda tinha questões básicas de organização burocrática para resolver, além de fazer os necessários esforços para tornar a especialidade e a Sobrice mais conhecidas. Abath já encontrou uma jovem Sobrice com a burocracia bem mais resolvida. Dali por diante, a organização passava a definir com mais precisão o campo de atuação da RI, e para isso era preciso normatizar os procedimentos percutâneos e endovasculares. Com esse objetivo, foi nomeada uma comissão de normatização, dividida entre as áreas de neurorradiologia intervencionista, intervencionismo visceral e cirurgia endovascular. “Com os procedimentos descritos e normatizados, teremos mais subsídios para balizar nosso relacionamento com os convênios privados de saúde, e com o próprio SUS”, escreveu Abath no editorial do Jornal da Sobrice, de abril de 2003. No mesmo texto, ele reafirma o compromisso da Sobrice com a continuidade do credenciamento de seus membros, por meio do título de especialista e dos certificados de área de atuação. Porém, adverte, “este é um trabalho árduo, com inúmeros obstáculos políticos e burocráticos no caminho, o que demanda tempo e paciência”. A receita funcionou. Na mesma edição do jornal, foi publicada a lista dos aprovados na primeira etapa do Exame de Suficiência para Título de Especialista em Diagnóstico por Imagem com Atuação Exclusiva em Angiorradiologia e Radiologia Intervencionista. Entre os 30 aprovados, estavam Felipe Nasser e Ricardo Augusto de Paula Pinto, futuros presidentes da Sobrice, que, com outros 27 candidatos (apenas um foi reprovado), passaram a fazer parte do primeiro grupo a deter o título de especialista depois dos pioneiros que o receberam por notório saber em 2002. A vitória que foi a criação do título revelou um novo desafio: a necessidade de criar centros de treinamento e estabelecer os requisitos mínimos para seu funcionamento. Naquele início dos anos 2000, exis63

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