todo o Brasil atrás do ouro de Serra Pelada, no Pará. O drama, imortalizado pelas lentes do fotógrafo Sebastião Salgado, em 1996, ainda estava bem presente. O garimpo na região já havia sido proibido, e ocorriam tensas negociações em torno da retomada da atividade em áreas próximas. “Muitos profissionais, oriundos de várias áreas e sob a pressão de um mercado de trabalho saturado, enxergam na Radiologia Intervencionista uma ‘Serra Pelada’, para onde aventureiros se dirigem, equivocadamente, em busca do ouro fácil, sem a bagagem técnica e moral desejável”, diz o editorial, depois de analisar a evolução recente dos conflitos em torno dos limites de atuação de cada especialidade. O ponto principal de conflito diz respeito ao que Abath classifica como “relutância sistemática, emotiva e de fundo corporativista” por parte de alguns profissionais de outras especialidades em aceitar as técnicas intervencionistas, que foi “gradativamente superada pelos resultados positivos publicados na literatura científica, e pelo crescente entusiasmo por parte da população e da comunidade médica, reforçados pela divulgação através da mídia e da Internet”. O pano de fundo do conflito, na visão de Abath, era o embate entre a consolidação dos métodos intervencionistas e a disponibilização dessas técnicas em larga escala. Ou seja, entre a consolidação dos métodos intervencionistas como parte essencial do arsenal terapêutico da medicina moderna e os obstáculos para disponibilizar essas técnicas em larga escala para a maioria da população. Segundo Abath: Num país de 170 milhões de habitantes, apenas 15% têm acesso a nossa especialidade, através de uma fração dos convênios privados de saúde. E mesmo neste pequeno nicho, o relacionamento é turbulento e desgastante. Estamos tentando expandir este universo, normatizando os procedimentos, para que possam ser incluídos de forma racional no Sistema Único de Saúde (SUS), e mais bem aceitos pelos planos privados de saúde. Ao avaliar a realidade da RI no século XXI, Abath mantém a posição que expressou naquele editorial e considera ter sido a principal contribuição de sua gestão. “Longe de uma visão tacanha, de querer restringir o acesso a essa especialidade, a Sobrice vem tentando conduzir a difícil tarefa de regulamentar, fomentar e promover o exercício da intervenção, dentro de um padrão de competência e com limites éticos.” Na gestão da diretoria presidida por Abath, foram registrados avanços importantes na normatização, o que permitiu a inclusão de muitos deles no SUS, e maior aceitação desses procedimentos pelos planos. Essa é uma questão inesgotável, uma vez que, a cada avanço tecnológico, é preciso reavaliar o que está coberto por qual sistema de 60
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