25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

bém trouxe problemas estruturais à especialidade dos radiologistas intervencionistas. Os cirurgiões vasculares foram os primeiros a serem chamados a unir-se aos intervencionistas. No início, eram contrários aos procedimentos da nova especialidade. Houve situações tensas, quando os convênios chegaram a desestimular os pacientes que optassem pela intervenção, alegando que seria um procedimento ainda experimental. Aos poucos, alguns desses profissionais foram sendo convencidos de que a especialidade de RI tinha vindo para ficar e para mudar a história da medicina. Assim, o caminho mais inteligente seria o de aprender a técnica e estar junto para fortalecer a especialidade, não desunir. Centola usa o exemplo de um paciente com estenose (estreitamento) da artéria ilíaca (localizada na pelve) para ilustrar a situação: Antigamente, era preciso abrir a barriga e a artéria para tirar essa placa de gordura de dentro dela, e era um procedimento muito invasivo. A partir da Radiologia Intervencionista, o mesmo procedimento era feito com um furinho na virilha, para a colocação de um stent na artéria doente. Isso gerou perda para os cirurgiões vasculares, e eles sentiram necessidade de entrar nessa área também. A forma que encontraram para fazer isso foi por meio do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Ainda, hoje há um natural cruzamento de caminhos, com risco de tensão, e é fácil entender o motivo. Por desconhecimento, os radiologistas intervencionistas não costumam ser a primeira opção de um paciente, pelo menos não na maioria dos casos. Por esse motivo, precisam que os outros especialistas os recomendem, ou seja, encaminhem os pacientes. No entanto, se o cirurgião encaminhar um paciente para o radiologista intervencionista, vai perder sua própria chance de tratá-lo. Esse conflito ainda não está inteiramente sanado. Mas prevalece o desejo de muitos no sentido de que se forme uma equipe multidisciplinar para oferecer ao paciente o melhor tratamento. Aldemir Humberto Soares, médico radiologista que presidia o CBR naquele período, entende que o caminho natural é a convergência entre as especialidades. “O cirurgião tem que migrar um pouco, especializar-se também em Radiologia Intervencionista”, diz. Aldemir lembra que é preciso que o radiologista também saiba fazer uma cirurgia aberta, caso dê algo errado na intervenção. Em parte por isso, Valéria Cardoso de Souza, radiologista intervencionista que assumiu a presidência da Sobrice em 2006, defende que o radiologista intervencionista tenha formação também em clínica cirúrgica, como vimos no capítulo 1 deste livro. Como se vê, o debate ainda existe e está em aberto. 51

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