25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

nalidade argentina e sua opção inicial pela cirurgia, e não pela radiologia. Melhor evitar. “Diferentemente de mim, que não era radiologista de formação, Piske tinha carreira reconhecida nessa especialidade”, lembra-se Kisilevzky. Segundo ele, acabou sendo mais importante a trajetória profissional de Piske como neurorradiologista renomado do que a vocação da Sobrice, que reunia predominantemente a intervenção periférica. “Ele era um profissional conhecido e respeitado, que daria prestígio à sociedade e facilitaria o trânsito com o CBR”, resume. A esses motivos somou-se o desejo de fazer uma homenagem a Piske, que vinha insistindo na necessidade de união dos médicos para ajudar a especialidade a ganhar visibilidade. Dessa forma, Ronie Leo Piske tornou-se o primeiro presidente da recém-criada Sobrice. Naquela ocasião, já se sabia que o mandato não duraria muito tempo, pois o combinado com o CBR era que as trocas das diretorias das duas entidades obedeceriam ao mesmo calendário. Piske era considerado pioneiro na parte de neurologia da RI, como lembra Márcio Sampaio, que também seguira essa trilha. “Cabeça, pescoço e ráqui (coluna e medula) formam uma área específica, com mais risco, da qual o pessoal da Radiologia Intervencionista não participava muito. Eu, José Maria Modenesi e outros, fomos formados na França, em escolas que faziam a neurorradiologia intervencionista, e demos continuidade a essa especialidade no Brasil. Praticamente todos os anos viajávamos para a França, fazíamos estágios, buscávamos novidades. Com o tempo, outras pessoas foram aparecendo: o Ronie Leo Piske e o Paulo Souza, de Curitiba, o Paulo Passos, do Rio Grande do Sul, são meus contemporâneos, apesar de eu ser um pouco mais velho do que eles. Depois, o movimento foi se ampliando”, conta Sampaio. Austero, disciplinado, considerado pelos colegas um homem de temperamento forte, o curitibano Ronie Piske, nascido em janeiro de 1957 e formado médico radiologista pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), assinou a ata de fundação da Sobrice, publicada em 26 de setembro de 1997. Assumia, assim, seis incumbências, que se consegue ler, hoje, em um documento que foi recuperado graças à revolução digital. Diz a ata, registrada no 3o Registro Civil da Cidade de São Paulo, que o estatuto da Sobrice estava aprovado e que o presidente da nova entidade deveria: 1. Iniciar imediatamente e acompanhar os trâmites administrativos para registrar e formalizar a Sobrice junto aos órgãos competentes (CFM, AMB, Receita Federal etc.), com o intuito de adquirir o registro de pessoa jurídica da Sobrice. 39

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