Essa história não foi construída sem percalços. “Quando médicos se juntam, sempre vai aparecer conflito. Sempre vai ter um querendo aparecer mais que o outro”, diz Aldemir Soares. No entanto, em relação à RI, ele não se recorda de nenhum conflito incontornável. Até porque as divergências maiores eram com os profissionais de cirurgia vascular, que fazem parte de outra organização profissional, a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). “O CBR teve que entrar na negociação mais de uma vez para dirimir questões relativas ao exercício da RI. Mas sempre foi do interesse dos radiologistas que a intervenção ficasse no CBR.” Carlos Abath, que foi presidente da Sociedade Pernambucana de Radiologia e da Sobrice, testemunhou o processo de construção da parceria entre os profissionais de RI e o CBR, e acentua a importância da autonomia que a sociedade teve, desde o início, dentro do Colégio. “A Sobrice tem seu CNPJ, tem seu congresso, mas até hoje vai para as reuniões em Brasília, na AMB e no Ministério da Saúde, através do CBR. Seria ainda mais difícil naquela época, com meia dúzia de gatos pingados.” Abath lembra que essa discussão ocorreu também nos Estados Unidos. A Sociedade Americana de Radiologia Intervencionista começou como departamento da Sociedade Norte-Americana de Radiologia, realizando congressos conjuntos, em Chicago. Depois, foi construindo um caminho próprio e atualmente é independente. Aqui, evitou-se esse caminho, e apostou-se na parceria. Por enquanto, mesmo quem pensa em mudar essa situação no futuro concorda: foi uma escolha acertada. 2.3 RONIE LEO PISKE (1997-1998) “AOS 26 DIAS DO MÊS DE SETEMBRO…” Tomada a decisão de que seria melhor para a especialidade dos radiologistas intervencionistas criar uma sociedade — iniciativa que se mostrou adequada, dado o crescente interesse pela entidade —, o segundo passo era formalizar a associação em cartório. À frente dessa tarefa, Nestor Kisilevzky pesquisou muito — vale lembrar que, no final dos anos 1990, a internet ainda era incipiente —, até concluir sobre os caminhos burocráticos que seria necessário seguir. Como Kisilevzky estava na dianteira desse importante momento da Sobrice, seria fácil pensar em seu nome para ocupar a presidência da entidade. Mas havia dois fatores que poderiam pesar contra: a nacio38
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