1.4 RENAN UFLACKER CIÊNCIA, RIGOR E ÉTICA PARA CONSOLIDAR A RI Renan Uflacker costumava repetir, como um mantra, que “a Radiologia Intervencionista é o segredo mais bem guardado da medicina”, para resumir o desafio de tornar conhecida a especialidade. Desde que voltou ao Brasil, após cursar especializações na Noruega e nos Estados Unidos, Uflacker dedicou-se com tenacidade de missionário a acabar com tal segredo. Não deixava escapar um congresso, uma oportunidade de publicação, dava aulas, foi grande inspirador do Clube dos Angiografistas, no qual, embora já fosse considerado um gênio, compartilhava com generosidade e simplicidade seu conhecimento. Uflacker trabalhou em praticamente todos os campos da RI. Suas principais áreas de atuação e produção científica se concentraram nas doenças hepáticas e hipertensão porta, nas arteriopatias vasculares periféricas, nas endopróteses aórticas e nos stents carotídeos. Foi um pioneiro apaixonado pela RI e fez de seu desenvolvimento e divulgação uma razão de vida. Por essa atuação e por sua impressionante produção científica, Uflacker é considerado não só o pai da RI brasileira, mas também o “pai” de muitos profissionais que descobriram a RI com ele. Valéria Cardoso de Souza queria ser cirurgiã; Marcelo Guimarães pretendia seguir carreira de cirurgião plástico. Ambos mudaram de rumo depois de assistir a suas aulas — Valéria, em um congresso de radiologia; Guimarães, quando foi seu aluno na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Outros, como Silvio Cavazzola, descobriram a especialidade com pessoas próximas a Uflacker — no caso, Jurandir Bettio e João Rubião Hoeffel Filho. “Ele foi o maior professor que conheci em toda a minha vida”, diz Valéria, que destaca também sua extraordinária capacidade de publicação. Ela lembra que, quando terminava um procedimento que não fosse habitual, ele se sentava com a máquina Olivetti que fora de seu pai, fazia o registro e guardava o que, mais tarde, poderia ser um caso a apresentar em um congresso, um artigo, ou mesmo o embrião de um livro. Guimarães, que foi levado por Uflacker para a Medical University of South Carolina (MUSC), nos Estados Unidos, atualmente ocupa o cargo de diretor que pertenceu a ele e considera-o de fato seu pai profissional e intelectual. “Ele me levava para congressos, me apresentava aos colegas. Fui introduzido no mundo da intervenção de maneira muito rápida. Eu não teria tido as mesmas oportunidades sem essa vivência”, lembra. Essa generosidade convivia com um extremo rigor profissional e científico. “Era muito exigente”, lembra Guimarães. “Eu podia fazer 21
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