o mesmo caminho. Ronie Piske, que viria a ser o primeiro presidente da Sobrice, assumiu a Neurointervenção da Med Imagem, e Guilherme Mourão ficou responsável pela Radiologia Intervencionista. A segunda geração do Clube já começava a pensar em uma estrutura profissional mais organizada, por meio da qual se conseguisse firmar a RI como especialidade conhecida pelos potenciais pacientes e respeitada pelos demais profissionais da medicina. Ainda era um sentimento difuso. Poucos consideravam fundamental mudar o padrão de organização. Pelo menos no início, a maioria preferia manter o espírito de informalidade e colaboração do Clube, principalmente no que se refere a compartilhar experiências desafiadoras. Valéria Cardoso de Souza fez parte da ala mais pragmática. “O Clube era um grupo de amigos. Era ótimo. Mas um grupo de amigos não move o mundo, não move a especialidade.” Luiz Maria Yordi tinha opinião distinta e se lembra de um “mal-estar” nesse período. “Estávamos tão bem no Clube, era difícil pensar em uma coisa formal, com eleições, candidatos, brigas internas. Mas faz parte.” Rosa Paolini pondera: “Aconteceu como acontece com muitas coisas na vida. Os interesses e as necessidades mudaram. Além do mais, tinha tanta gente que não era mais possível ser tão informal.” Carlos Abath considera que toda data é, de certa forma, uma convenção. Isso porque são poucas as situações em que a realidade muda de um dia para outro. O normal é haver uma transição. Silvio Cavazzola participou do momento da virada. Em 1996, foi convidado pela primeira vez para uma reunião do Clube, que se realizaria em Recife. Nessa reunião, surgiu a ideia de fazer um novo encontro no ano seguinte, período em que ganhou corpo a discussão sobre a criação de uma Sociedade de Radiologia Intervencionista. A fundação aconteceria em 1997, em Gramado (RS), como o leitor verá no capítulo 2. Não por saudosismo, mas por vontade de resgatar o espaço de crítica livre e respeitosa que o Clube representava, surgiu a ideia de criar, nos congressos anuais da Sobrice, uma sessão denominada “Meu pior pesadelo”. O nome bem-humorado procura desmistificar o erro. “A gente aprende mais com o erro do que com o acerto”, diz Cavazzola, lembrando-se de um colega argentino que lhe disse certa vez: “Ou sou muito azarado, ou sou muito ruim. Porque tenho um monte de complicações, e não vejo ninguém falar que tem.” A sessão “Meu pior pesadelo” estreou em 2016, ano em que Silvio Cavazola foi presidente do Congresso da Sobrice. O espírito do Clube permanece vivo. 20
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