Na verdade, tudo começou antes mesmo da pandemia, quando foram realizadas reuniões mensais físicas — a primeira em 22 de março de 2018 —, no Instituto de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – Inrad-FMUSP, justamente com o intuito de estimular os mais jovens a se envolverem com a vida societária. Quando foi preciso respeitar o isolamento social, tais reuniões tornaram-se virtuais (2020 e 2021), e a Sobrice decidiu delegar aos mais jovens a responsabilidade de organizar tais encontros. Para Marcos Menezes: Uma coisa é a gente imaginar o que os jovens estão pensando. Outra é a gente dar espaço para que eles possam se comunicar e falar sobre seus interesses. Criei, na minha gestão, uma seção que se chama “Jovem RI”. A função da Sobrice Júnior é criar líderes jovens na especialidade. Chega-se, assim, a um ponto importante, que, a depender de Marcos Menezes, será passado e repassado em salas de aula a todos que quiserem aprender e seguir carreira como intervencionistas. Para além do envolvimento com a tecnologia, que seduz uma geração que já nasceu, praticamente, sabendo lidar com dispositivos tecnológicos, existe a relação com o paciente. Charles Dotter (veja o capítulo 1) também faz parte do arsenal de informações que Marcos Menezes leva para a sala de aula. Seus artigos são lidos, suas recomendações passam a ser conhecidas e debatidas pelos novos médicos, sobretudo aquela em que ele diz que a sobrevivência da RI está ligada ao “vínculo profícuo entre o clínico e o paciente, não com a tecnologia”. É uma lição importante, que não deve ser esquecida. O intervencionista precisa sair da condição de profissional indicado pelo clínico, para atender diretamente o paciente, criar com ele um sentimento de confiança. Menezes lembra que a vantagem que os cirurgiões vasculares abriram sobre os intervencionistas tem base, justamente, nessa relação. Os intervencionistas precisam deixar de ser somente técnicos, precisam criar uma mudança de postura em que se apresentem como solução para o problema. O paciente precisa perceber o intervencionista como médico dele. A geração mais nova já está entendendo que essa é a saída. Muitos já começam a carreira com uma prática de consultório. Para ilustrar melhor o que é dito em prosa, nada como a poesia, que consegue abrir espaço à sensibilidade. Foi assim que, em meio à pandemia, Marcos Menezes publicou, no Boletim CBR de julho de 2020, versos que combinavam a emoção do momento complexo que todos vivíamos com a recomendação afetuosa aos novos membros da 107
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