25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

Nesse período, houve muitos movimentos em prol da valorização da RI junto ao SUS e aos planos de saúde, e iniciava-se uma movimentação em torno da residência médica na especialidade. Na gestão de Corvello, essa articulação envolveu o Ministério da Educação. Destaque importante nesse processo foi a participação do deputado Alex Canziani (PTB-PR), conterrâneo de Corvello, que tinha boa interlocução tanto no Ministério da Saúde quanto no da Educação. Ainda na seara dos avanços institucionais junto aos órgãos regulamentadores da saúde no Brasil, a Sobrice liderou o pleito pela mudança da codificação dos procedimentos de RI perante os convênios. Até então, a remuneração era calculada por cada vaso sobre o qual ocorria uma intervenção ou tratamento, e cada uma dessas intervenções gerava um código, tornando o entendimento complexo por parte do auditor. A Sobrice sugeriu, então, uma remuneração por grau de dificuldade, com um só código para cada grau, independentemente do número de intervenções necessárias. Essa é uma questão que ainda provoca questionamentos, porém na qual se registraram avanços expressivos no período. Em meio a tantos avanços e desafios, Corvello respondeu assim à pergunta da revista Interventional News sobre o futuro da RI na entrevista feita por ocasião da vitória no caso da embolização de artérias uterinas: A medicina moderna tem de ser verdadeiramente multidisciplinar. Não apenas para realizar os procedimentos, mas também em tudo o que rodeia as decisões médicas em suas vidas diárias. Se entendermos que, no final de tudo, o grande beneficiário é o paciente, decisões coerentes irão surgir de forma quase espontânea. É o aspecto humano que tem de ser resgatado neste mundo moderno. E, dentro destes preceitos, procedimentos minimamente invasivos terão sempre o seu lugar. A mesma confiança é demonstrada atualmente por Corvello: Sou relativamente novo, nasci em 1965. Ainda assim, sou pioneiro. A história da Radiologia Intervencionista é muito recente. Nos anos 1990, havia um material novo por mês. Quando eu estava fazendo minha residência nos Estados Unidos, Crescêncio Centola e Carlos Abath estavam adiante, mas ainda no início da carreira. Ao mesmo tempo, Corvello lembra que, quando começou sua carreira, a especialidade era muito pouco conhecida, e sobravam vagas nos serviços que ofereciam treinamento em RI. Agora faltam. “Hoje é a especialidade que todo mundo quer fazer”, afirma. “Porque o futuro é uma medicina cada vez menos invasiva.” Entusiasmado pela profissão, o médico diverte-se com a lembrança de que, “antigamente, a gente fazia tudo: neuro, visceral e periférico. 85

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