A repercussão foi proporcional à mobilização em torno de uma questão que atinge cerca de 50% das mulheres em todo o mundo, provocando cólica, sangramento, aumento do volume do útero e dificuldade para engravidar ou manter a gestação. E a vitória foi possível porque a Sobrice caminhava a passos largos em seu projeto de profissionalização. A assessoria institucional de Helena Gonçalves, contratada na gestão anterior, foi fundamental na articulação junto ao Congresso Nacional, assim como as ações junto à Febrasgo, ao CBR, ao Ministério da Saúde e à ANS reforçaram o pedido de revisão. “Saíram fortalecidas as instituições da área de saúde do Brasil”, diz Corvello. “Juntos, podemos caminhar para uma medicina mais lógica, moderna e sempre baseada na evidência científica, pois é isso que nos diferencia da alquimia.” A embolização de artérias uterinas para o tratamento de leiomiomatose uterina tem Nível A de evidência científica desde 2008. A troca de informações científicas com a americana SIR, com a qual a Sobrice já vinha desenvolvendo um estreito relacionamento, foi outro fator importante para essa vitória, como enfatizou Corvello em entrevista à prestigiada revista inglesa Interventional News, publicada no Boletim CBR de outubro de 2012: Na verdade, o apoio da SIR tinha a força de uma sociedade bem-organizada, séria, muito acadêmica. Isto em si, mas também em conjunto com as devidas referências bibliográficas, foi muito importante para alcançar o resultado final: a reconsideração oficial da ANS da exclusão da embolização uterina para miomas. Este apoio do SIR é um exemplo claro de que cada um de nós, como membros dos conselhos de associações de especialidades, devemos nos ajudar. Esta decisão fortaleceu a ideia para as sociedades médicas de que o melhor argumento para um procedimento é um trabalho de pesquisa sério, científico e bem conduzido. A aproximação com as instituições internacionais representativas da RI refletiu-se em reuniões com as diretorias da americana SIR e da europeia Cirse para discutir pautas de colaboração que resultaram na aceitação automática de membros da Sobrice nessas sociedades. Na mesma direção, avançaram as relações entre os residentes brasileiros e os serviços de RI nos Estados Unidos e na Europa, com maior abertura a colaborações do Brasil nas publicações de ambas as organizações. Outras ações políticas desempenhadas durante a gestão: participação como membro efetivo na Câmara Técnica de Alta Complexidade Cardiovascular do Ministério da Saúde, participação como membro não temporário na ANS para inclusão de novos procedimentos no rol e 82
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