25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

Na contramão desse movimento de aproximação, Carnevale enfrentou um duro embate com a Sidi, formada então por profissionais da Espanha e de países da América Latina. Como sociedade ibero-americana, a Sidi entendeu que a Sobrice deveria ser incorporada à sua estrutura. Carnevale, vice-presidente de ambas, opôs-se a essa ideia, assim como toda a diretoria da instituição brasileira. No X Congresso da Sobrice, em 2007, no Maksoud Plaza, São Paulo, houve uma reunião em que a Sidi propôs que os congressos de RI fossem realizados de forma alternada: um ano com organização sob responsabilidade do Brasil, no seguinte pela América Latina. Ou seja, o congresso da Sobrice passaria a ser bienal, o que significava um problema concreto, além da questão política: a receita dos congressos, principal fonte de recursos da sociedade, também só entraria nos cofres da Sobrice de dois em dois anos. Com aval da diretoria brasileira, Carnevale votou contra a proposta na reunião da diretoria da Sidi. Ainda assim, ficou como “vilão da história”, lembra o médico, que deixou a vice-presidência da instituição em seguida. Carnevale acentua ainda que, naquela ocasião, entre os membros da Sidi só a RI brasileira e a espanhola tinham sociedades oficiais. Na gestão de Alexander Corvello, que o sucedeu, houve uma reaproximação, com a ideia de incorporar a Sobrice à Sidi definitivamente arquivada. “Tudo tem seu tempo”, diz Corvello. Como não poderia deixar de ser, a Sobrice dedicou-se também intensamente ao “trabalho de formiguinha”. Os avanços já obtidos foram aprofundados na gestão de Carnevale, a começar pelo pedido de revisão de códigos para procedimentos intervencionistas junto ao Ministério da Saúde. Na mesma frente de batalha, foram feitas reuniões entre a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a Sobrice, para discutir o relacionamento entre operadoras de planos de saúde e prestadores de serviço — o que resultou em uma cartilha de orientação aos médicos. Como registra Carnevale: Foram ações ainda iniciais, porém muito importantes, sob a coordenação de Ricardo Pinto, que conhece muito sobre códigos e normatizações, e de Corvello. Contratamos uma assessora institucional, Helena Gonçalves, muito eficiente, para apoiar nossas ações em Brasília. Como resultado dessas iniciativas, foi aprimorada a tabela da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), usada como parâmetro para estabelecer o valor de procedimentos médicos. Alexandre Machado e Ricardo Pinto foram peças importantes nessa articulação, que teve como objetivo fortalecer os honorários médicos junto aos planos de saúde. 76

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