25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

Como se vê, eram números modestos, em termos absolutos. Era preciso ampliar o campo de atuação da RI, e isso exigia abrir a porta para outras especialidades. Valéria lembra que essa sempre foi uma discussão acirrada e não tem dúvida de que foi acertado fugir à tentação de garantir uma reserva de mercado para os radiologistas. “Se fosse exigida a formação em radiologia, talvez a Sobrice nem tivesse sido criada. Existem a perfeição e o que é viável”, diz, lembrando que a abertura deve ser feita com critério, para impedir movimentos ao estilo garimpo de Serra Pelada, como definiu seu antecessor, Carlos Abath. Um exemplo de movimento desse tipo foi feito pela Sociedade de Hemodinâmica. “Eles queriam um acordo com a Sobrice, mas não ofereciam nenhuma contrapartida. Percebemos isso e barramos, com apoio tanto do CBR quanto da AMB”, lembra Valéria. Na seara do relacionamento com outras especialidades, ela considera que a principal marca de sua gestão foi a aproximação com a oncologia, que se revelou muito profícua. Quase 20 anos depois, a oncologia é uma locomotiva da expansão da RI, e, a partir de 2021, passou a merecer uma diretoria própria na Sobrice. “Por fases, as salas mais concorridas nos congressos de Radiologia Intervencionista foram angiografia diagnóstica, angioplastia periférica, endopróteses de aorta, angioplastia de carótida e, por fim, a oncologia, que é, hoje, a menina dos olhos dos hospitais”, diz Valéria. Um marco dessa novidade foi o X Congresso da Sobrice, realizado no hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, em 2007, simultaneamente ao V Congresso da Sidi, ao I Simpósio de Neurorradiologia Intervencionista da Sociedade Brasileira de Neurorradiologia Diagnóstica e Terapêutica (SBNR) e ao V Simpósio de Enfermagem em Radiologia Intervencionista. Para o evento, que teve como presidente Alexander Corvello, foram convidados profissionais de RI internacionalmente consagrados por sua atuação em oncologia, como o francês radicado nos Estados Unidos Jean-François (Jeff) Geschwind e o francês Jean-Pierre Pelage. Foi um congresso que trouxe também outras novidades conceituais e tecnológicas — como a possibilidade de interação por controle remoto entre palestrantes e participantes e a utilização de simuladores para a realização virtual de procedimentos intervencionistas, como relatou Corvello no Jornal da Sobrice de outubro de 2007. O X Congresso reuniu 600 participantes, entre os quais se destacou a presença de residentes e graduandos em medicina, e teve o patrocínio de 28 empresas. O evento foi ainda palco de uma ousada ação de marketing, idealizada por Valéria: organizar o tradicional jantar do evento em um restaurante especialmente diferenciado. O escolhido foi o Leopolldina, do chef Giancarlo Bolla, que funcionava dentro da megabutique Daslu. Não parou por aí. O convite foi endereçado às es66

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