internet foram alguns assuntos levados para cima e para baixo, entre uma e outra consulta. Foi ali também que começaram os primeiros debates sobre a necessidade de se criar um título de especialista, o que acabou acontecendo entre 2002 e 2003. Membros do CBR alertavam para o fato de que era necessário ter um certificado na área de atuação similar ao que já havia na ultrassonografia. Não seria fácil convencer os médicos, porque isso implicava que todos deveriam ter previamente um título de especialista em diagnóstico por imagem ou cirurgia vascular. O CBR também exigia uma prova para a filiação, o que significava que era preciso investir um tempo ainda maior em estudos. “Finalmente, conseguimos convencer que a Radiologia Intervencionista merecia status de especialidade médica, e assim emplacamos o título de especialista em diagnóstico por imagens com dedicação exclusiva em angiorradiologia e Radiologia Intervencionista”, diz Kisilevzky. No melhor estilo “a união faz a força”, a Sobrice conta, desde então, com o respaldo do CBR. Como se sabe, houve quem preferisse uma sociedade exclusiva dos intervencionistas. Kisilevzky sempre defendeu que seria importante a união, inclusive para desenvolver outras atividades, como lutar por honorários melhores, ter uma unidade sindical, quebrar o corporativismo. A maioria tomou a mesma posição. “A sociedade não pode se limitar a fazer congressos, a parte mais divertida. Precisa também olhar para a disputa do mercado de trabalho, a parte mais complicada. Eu entendi que, ficando dentro do CBR como um departamento, estaríamos mais protegidos, principalmente por conta de uma disputa de mercado com os cirurgiões vasculares”, diz Kisilevzky. Henrique Salas defende a parceria com o CBR, com algumas ressalvas: “Tem um lado bom e um lado ruim, como em tudo. O lado bom é o respaldo; o CBR é uma instituição forte e é muito bom que esteja nos apoiando em tudo. O lado ruim é que ele é controlador. Mas acho que a Sobrice ainda não tem como sobreviver sozinha. Talvez daqui a algum tempo teremos um número suficiente de participantes para sermos independentes.” O lançamento do primeiro jornal da Sobrice, em novembro de 2000, mostra esse desejo de tornar a especialidade mais conhecida. O informativo passou a ser lançado com certa regularidade, abrindo espaço para os radiologistas escreverem artigos e detalharem alguns casos. No primeiro número, José Maria Modenesi e Nestor Kisilevzky descreveram o caso de uma embolização de aneurisma de artéria hepática com espirais GDC. Foram feitas três perguntas aos leitores, que seriam respondidas no site da Sobrice. Uma estratégia importante, para ampliar não só o campo de estudos como a utilização de meios de comunicação que começavam a se espalhar com rapidez mundo afora. 47
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