25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

jogo e trazer problemas para o paciente”, afirma Joaquim M. da Motta Leal Filho. Não há muito como fugir. O Brasil, apesar de ter 54 especialidades médicas reconhecidas pelo CFM e pela AMB, é regido por uma lei que diz que qualquer médico brasileiro pode fazer qualquer procedimento. Não é difícil entender o que motivou a lei: somos um país continental, temos regiões com poucos recursos, e seria desastroso impedir um médico que trabalha, por exemplo, na Volta Grande do Xingu, tratar uma diarreia em uma criança pelo fato de não ser pediatra. No entanto, isso é bem diferente de permitir o exercício de uma especialidade tão complexa sem a necessária formação. A AMB e o CFM precisam estabelecer essas diferenças, decidindo, por exemplo, que só intervencionistas podem fazer ablação de fígado. Mas não é assim. “Eu acho que vou morrer e não vou ver resolvida essa questão”, conclui Joaquim M. da Motta Leal Filho. Terminando o capítulo dos conflitos, é tempo de registrar as vitórias. Em negociação com a Radiologia Brasileira — revista científica oficial do CBR —, intermediada pelo atual presidente do Colégio, Valdair Muglia, conseguimos criar uma seção de RI dentro da revista, com direito a ter três editores associados: Daniel Abud, Joaquim M. da Motta Leal Filho e Thiago Franchi Nunes. Outra vitória refere-se ao fato de que a Sobrice conseguiu um assento no Conselho Consultivo do Inca. Trata-se de um conselho formado por entidades de âmbito nacional, representativas de vários setores, que contribui, de forma decisiva, para a elaboração de atos normativos relativos à estrutura e ao financiamento da atenção oncológica no país, com bastante força junto ao Ministério da Saúde. O benefício dessa conquista, para a Sobrice, é melhorar não só a disponibilidade de procedimentos para os pacientes no SUS, mas códigos, pagamentos, materiais necessários para realizar procedimentos intervencionistas na área de oncologia. Essa é uma conquista importante em uma agenda que acompanha toda a história da sociedade: os intervencionistas precisam ser mais vistos, mais conhecidos. Joaquim M. da Motta Leal Filho garante que esse processo vai acontecer, mas será de forma lenta, gradativa. Depende muito, sobretudo, de o profissional conseguir posicionar-se no mercado como especialista. O primeiro ano da gestão de Joaquim M. da Motta Leal Filho mostrou-se muito frutífero e com muitas realizações. Isso se deveu, sobretudo, “porque temos um time de ouro, unido e afinado, todos trabalhando para um mesmo propósito, o crescimento da especialidade”, como menciona Joaquim. Ele destaca ainda a parceria irrestrita de seu vice-presidente, Gustavo Andrade (Pipoca), amigo, radiologista intervencionista experiente e habilidoso, conhecedor dos problemas 115

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