25 Anos - A Consolidação da Radiologia Intervencionista no Brasil

responsabilidade deles a organização desses encontros, que durante a pandemia passaram a ser virtuais. Surtiu um grande efeito, porque passamos a ter participação maior, até de outras especialidades. A Sobrice Júnior ainda é muito nova, mas já está assumindo funções importantes dentro da sociedade: formar líderes entre esse grupo jovem, ser um braço de comunicação da Sobrice. E, dessa forma, romper a barreira do desconhecimento da especialidade. Uma vez decidido a seguir carreira como intervencionista, o jovem médico precisará superar outro obstáculo: o mercado de trabalho. Segundo Marcos Menezes, se, por um lado, a procura pela especialidade está aumentando, por outro ainda não há vagas suficientes. No Hospital das Clínicas, onde trabalha, por exemplo, há apenas cinco vagas de residência médica para intervencionista e 40 para cirurgia geral. Contra o pavor de se tornar desempregado depois da graduação, porém, uma das melhores saídas é, justamente, a união. Tornar-se membro de uma sociedade aumenta as chances não só de se informar sobre as possibilidades que vão surgindo, mas de refletir sobre os desafios e sobre como superá-los. A falta de identidade da especialidade pode ser um entrave para que o paciente comum procure um intervencionista. “A raiz da RI é de um profissional que seria consultado quando necessário: para fazer um ultrassom e dar o diagnóstico, por exemplo. Mas, dali em diante, ele não se envolve. Os estudantes de medicina não nos conhecem”, comenta o médico Gustavo Andrade, atual vice- -presidente da Sobrice, que considera fundamental que os professores assumam, nas universidades, a responsabilidade de falar sobre os procedimentos intervencionistas, citando que é possível fazer a embolização de mioma, por exemplo, em vez de dar apenas como opção a cirurgia aberta. “Na Universidade Federal de Pernambuco, onde leciono, temos informado esses alunos. Dou aula sobre o que é RI, e a quantidade de interessados é grande”, diz Andrade. Aumenta, assim, como se vê, a responsabilidade da Sobrice diante desses jovens, que podem correr o risco de sair da faculdade sem noção de que têm à mão uma especialidade que causa menos dor ao paciente; provoca menos sangramento; exige menor tempo de hospital; causa menos complicações; provoca recuperação rápida; e tem menor custo global. Fica sobre os ombros dessa turma a responsabilidade de desconstruir a realidade que Charles Dotter prenunciou quando disse, em carta a um amigo, em uma palestra: Se você disser a palavra cirurgião para uma pessoa leiga, ela evoca a imagem mental de um médico com um uniforme verde, um gorro, 109

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